19.06.2009 14:24:44
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Mas afinal, quem é essa tal sustentabilidade?
Mais do que uma bela expressão de marketing, a sustentabilidade é um conceito singular aplicável á arquitetura. Não trata de certidões ou certificados, aplicáveis de forma igual em qualquer canto do planeta, como uma receita de bolo. Muitas vezes usar o bom senso já faz toda a diferença.
Os dias em que vivemos são cruéis. Somos obrigados a tomar decisões a todo momento e para tomar essas decisões precisamos estar bem informados. E a avalanche de informações desencontradas e incompletas vindas da mídia a esse respeito, nos angustiam ainda mais. E para completar, o marketing empresarial, principalmente da construção civil, produz ainda mais “confusão” misturando conceitos, normas de construção e fantasias, para “laçar” o consumidor incauto.
Há casos de edifícios que captam a água da chuva, usam aquecimento central solar e lâmpadas fluorecentes e que afirmam usar os princípios de sustentabilidade. Mas, ao planejar o edifício, não deixam um único metro quadrado de grama ou um arbusto em contato com o terreno, impermeabilizam o solo, rebaixam o lençol freático, não beneficiam a separação do lixo, aproveitam mal a luz natural e dispõe os imóveis aleatoriamente em relação ao conforto ambiental. E depois haja ar condicionado, aquecedor e ventilador.
A sustentabilidade é muito mais do que isso. Na Wikipédia a definição é: “sustentabilidade é um conceito sistêmico; relacionado com a continuidade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade humana”.
A sustentabilidade como conceito fundamental foi aplicado ao meio ambiente pela primeira vez por Lester Brown na década de 80. Lester Brown foi o fundador do Worldwatch Institute, uma das instituições precursoras na visão sistêmica do planeta, fundada em 1974, em Washington DC, com o apoio do Rockfeller Brothers Fund. A partir de 1984, através do WWI, Brown passou a editar o Estado do Mundo, um respeitado relatório acerca da interação homem x meio ambiente.
A idéia geral é que uma comunidade é sustentável quando satisfaz plenamente suas necessidades de forma a preservar as condições para que as gerações futuras também o façam. E essa abordagem não trata apenas do meio ambiente do ponto de vista de fauna e flora, mas abarca a organização humana e seus desdobramentos, aspectos sociais, antropológicos e culturais.
Isso também se aplica a um empreendimento que atenda aos seguintes requisitos:
• ser ecologicamente correto;
• ser economicamente viável;
• ser socialmente justo;
• ser culturalmente aceito;
Nós, arquitetos, clientes, proprietário e empresários da construção civil, que atuamos nesta área que transforma a face das cidades e do planeta, temos a responsabilidade de agir dentro destes preceitos. A alternativa será legar à nossos filhos e netos apenas montanhas de lixo, belas e inacreditáveis fotos em livros de história, descrições em livros de antropologia de antigas comunidades que viviam do que criavam, pescavam e colhiam, e artesanato regional industrializado à venda em shoppings ao redor do mundo, a cultura pasteurizada global. Será que é isso que queremos? Mas é assim que agimos. Nós fazemos as nossas escolhas e nossas escolhas fazem o mundo onde vivemos.
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